Boichi diz que quem Lê Mangás Piratas não é Inimigo, mas sim uma Demanda não Atendida

O ilustrador de Dr. Stone, Boichi, publicou uma extensa sequência de textos nas redes sociais para discutir um dos temas mais polêmicos da indústria: a pirataria de mangás.
Ao longo de diversos tópicos, o artista explica questões legais, diferenças entre países, impacto econômico da pirataria e, principalmente, apresenta uma ideia que considera muito mais eficiente do que simplesmente punir leitores que leem mangás piratas.
Segundo Boichi, o verdadeiro objetivo deveria ser transformar pessoas que hoje leem mangás por meios ilegais em consumidores de uma indústria saudável e sustentável.
Boichi diz que a situação é mais complexa do que simplesmente chamar todos de criminosos

Logo no início de sua reflexão, Boichi afirma que muitas pessoas acreditam que ler mangás pirateados é automaticamente ilegal em qualquer lugar do mundo.
No entanto, ele explica que isso depende das leis e dos acordos internacionais adotados por cada país. Em alguns locais, por questões jurídicas específicas e da própria legislação nacional, a situação pode ser diferente do que muitos imaginam.
Mesmo assim, o artista deixa claro que, sob uma perspectiva ética, considera a pirataria um problema sério, já que envolve a distribuição não autorizada do trabalho criativo de outras pessoas.

Outro ponto enfatizado por Boichi é que a realidade mudou muito desde os antigos grupos de scanlations feitos por fãs. Na visão do ilustrador, atualmente muitos grandes sites de pirataria funcionam como verdadeiros negócios internacionais que obtêm receitas por meio de publicidade e outras formas de monetização.
Por isso, ele afirma que o foco principal não deveria ser combater os fãs, mas sim as organizações que lucram explorando obras sem autorização dos seus criadores.
A solução proposta por Boichi é criar caminhos para que as pessoas comprem mangás legalmente
Talvez o ponto mais importante de toda sua série de textos seja justamente sua proposta para o futuro da indústria. Em vez de apenas pedir punições, Boichi acredita que é preciso criar alternativas reais para os leitores.
Segundo ele, quando um país desenvolve editoras, serviços oficiais e distribuição legal de quadrinhos e mangás, cria-se um ambiente onde impostos são pagos, empregos são gerados e o próprio governo passa a ter interesse em combater a pirataria.

Além disso, ele também defende que mais países desenvolvam suas próprias indústrias de quadrinhos e mangás, criando um ecossistema cultural forte e sustentável.
Um dos trechos mais marcantes de seus textos é justamente a defesa de que os leitores de sites piratas não devem ser vistos como inimigos.
Segundo o artista, eles representam uma demanda já existente pelo produto e podem se tornar os primeiros clientes de serviços oficiais quando esses forem acessíveis, baratos e amplamente disponíveis.
Boichi relembra a experiência vivida pela Coreia do Sul, onde a pirataria já foi extremamente comum no passado. Com o surgimento de plataformas legais, muitos leitores passaram naturalmente a consumir conteúdo oficial, fortalecendo toda a indústria de webtoons.

Em sua visão, a satisfação de apoiar diretamente os criadores é muito maior do que simplesmente consumir obras gratuitamente.
Outro ponto defendido por Boichi é que muitos países sequer possuem infraestrutura adequada para publicação de mangás físicos, seja por falta de editoras, distribuição ou livrarias.
Por isso, Boichi acredita que o crescimento mundial do setor depende da expansão de serviços digitais com preços acessíveis para diferentes regiões do planeta.
Segundo ele, quando esses sistemas existem, governos arrecadam impostos, artistas locais encontram oportunidades e toda a cadeia econômica ligada aos quadrinhos se fortalece.

Talvez a principal mensagem deixada por Boichi seja surpreendentemente otimista. Em vez de enxergar quem hoje recorre à pirataria como inimigo da indústria, ele acredita que essas pessoas representam futuros apoiadores do mercado oficial — desde que existam opções acessíveis e convenientes.
Para o ilustrador de Dr. Stone, construir serviços legais melhores, incentivar artistas locais e tornar o acesso aos mangás mais fácil pode ser uma estratégia muito mais eficaz do que simplesmente tentar combater leitores individuais.
via Boichi
