Autor de Ryuuou no Oshigoto revela como seria a morte da Ginko em uma rota alternativa

O autor de Ryuuou no Oshigoto!, Shirow Shiratori, finalmente revelou em detalhes como funcionaria a tão comentada rota em que Ginko morre. Depois de contar anteriormente que Ginko originalmente deveria morrer na história, o escritor agora publicou o antigo planejamento que mostra não apenas a morte da personagem, mas também como isso mudaria completamente o destino de Yaichi, Ai e Yashajin.
A revelação aconteceu em 9 de setembro, aniversário de Ginko, e apresenta um enorme plot que foi planejado ainda em 2015, antes mesmo da publicação do primeiro volume da série.
Como seria a rota em que Ginko morre em Ryuuou no Oshigoto!?
Segundo Shiratori, a história alternativa começaria durante o arco do Sandan League, quando Ginko tentaria se tornar a primeira mulher a alcançar o posto de profissional no shogi.

Apesar de seu desempenho extremamente forte, ela começaria a sofrer com febres inexplicáveis, algo que já acontecia antes, mas havia piorado desde que alcançou o nível de 1-dan.
Ginko esconderia os sintomas porque acreditava que revelar sua condição poderia impedi-la de continuar competindo.
Depois de sofrer duas derrotas no primeiro dia da liga, ela procuraria ajuda justamente de Yaichi. Enquanto cuida dela no apartamento onde Ginko morava sozinha, Yaichi encontraria um antigo caderno com suas partidas.
Esse objeto serviria como porta de entrada para várias lembranças:
- O primeiro encontro entre Yaichi e Ginko;
- Os anos em que viveram como mestre e discípulo;
- O período difícil na Shoreikai;
- As amizades e rivalidades construídas durante o Sandan League;
- E, principalmente, o enorme vínculo que os dois desenvolveram através do shogi.
Ginko conseguiria se tornar profissional antes de morrer
Na parte seguinte do planejamento, Ginko recuperaria sua forma e começaria a acumular vitórias.
A competição se transformaria em uma das disputas mais acirradas da história da Sandan League.

E então viria o momento que mudaria tudo.
Ginko venceria sua partida decisiva em Tóquio e se tornaria a primeira mulher profissional do shogi.
Mas, logo depois da partida, ela perderia a consciência.
E morreria.
O mais cruel é que Ginko passaria seus últimos momentos recitando de memória uma partida de shogi. A última jogada seria 2-7 Gin, um lance da primeira partida que ela disputou contra Yaichi.
Ou seja: até seus últimos instantes, o shogi e Yaichi estariam presentes.
A doença que levaria Ginko à morte
O planejamento também revela a causa da morte.
Ginko sofreria de púrpura, doença que provocaria manchas e hematomas pelo corpo. Seu estado seria tão grave que ela apareceria literalmente coberta de marcas que pareciam ter sido causadas por agressões.
O detalhe mais trágico é que, segundo o próprio planejamento, a doença poderia ser tratada caso tivesse sido descoberta.

Ginko, entretanto, teria escondido os sintomas durante todo esse tempo porque acreditava que seria impedida de disputar a Sandan League.
Depois de sua morte, seus pais diriam à filha algo que ela provavelmente precisava ouvir muito antes:
“Você não precisa mais lutar.”
É uma das partes mais pesadas desse roteiro justamente porque Ginko teria alcançado o sonho pelo qual sacrificou tudo… apenas para morrer imediatamente depois.
A morte de Ginko mudaria completamente Yaichi
A tragédia não terminaria com o funeral.
Depois da morte de Ginko, Yaichi mudaria completamente seu estilo de jogo.
Durante a defesa de seu título de Ryuuou, ele enfrentaria um especialista em Yagura/Gakari, e uma pequena ação revelaria o quanto a morte de sua irmã mais velha o afetou.
Ao pegar uma peça de Gin (prata), Yaichi hesitaria por um instante antes de colocá-la delicadamente no tabuleiro.
E então começaria uma verdadeira destruição.

Yaichi venceria seu adversário de maneira absolutamente esmagadora, dando origem ao apelido “Rei Demônio do Oeste”.
É aqui que terminaria a primeira parte dessa versão alternativa da história.
Quatro anos depois: Ai decide seguir o caminho de Ginko
A segunda parte avançaria quatro anos.
Yaichi teria se tornado o principal jogador do shogi japonês, conquistando títulos e estabelecendo seu domínio sobre o jogo.
Enquanto isso, Ai Hinatsuru, Ai Yashajin e Keika também teriam se destacado no shogi feminino.
Mas a morte de Ginko continuaria sendo uma sombra sobre Yaichi.
E seria justamente Ai quem tentaria romper esse ciclo.
Ao chegar ao terceiro ano do ensino médio, Ai anunciaria que pretende estudar em Tóquio e prestar o exame para entrar na Shoreikai.

Yaichi seria completamente contra a decisão.
Ele chegaria a ameaçá-la com uma expulsão.
Mesmo assim, Ai encontraria outro mestre e seguiria seu próprio caminho.
O motivo? Ela acreditaria que, para conquistar Yaichi, precisaria chegar ao mesmo nível que Ginko havia alcançado.
Ai e Yashajin teriam estratégias completamente diferentes
Essa é provavelmente uma das partes mais interessantes do roteiro.
Ai tentaria salvar Yaichi da influência de Ginko através do próprio shogi.
Ela queria alcançar o mesmo palco que Ginko, sentar diante de Yaichi como uma igual e criar com ele uma conexão eterna através do jogo.
De certa forma, seria como tentar ocupar o lugar deixado por Ginko.
Já Yashajin seguiria exatamente na direção oposta.
Para ela, o mais importante seria Yaichi, e não o shogi.
Yashajin acreditaria que Yaichi deveria encontrar felicidade fora do jogo e tentaria mostrar que existe uma vida além do shogi.

A rivalidade entre as duas chegaria ao ápice quando Ai e Yashajin disputassem a final do Shinjin-Ō, em uma batalha histórica entre uma jogadora profissional e uma integrante da Shoreikai.
Ai venceria após uma série extremamente disputada.
Depois disso, Yashajin finalmente aceitaria que Ai era a pessoa capaz de seguir adiante com Yaichi.
Ela abandonaria o shogi e partiria para o exterior, tentando também romper com a própria relação problemática com o jogo.
O final da rota de Ginko seria com Ai
Depois de todos esses acontecimentos, o roteiro terminaria com Yaichi e Ai jogando shogi, de maneira semelhante ao primeiro encontro dos dois.
Ai estaria esperando por ele diante do tabuleiro.
E faria uma proposta:
“Se eu vencer, torne-me sua discípula.”
Yaichi perguntaria o que aconteceria caso ele vencesse.
A resposta seria simples:
“Vou continuar até vencer!”
Ao segurar novamente uma peça de prata, Yaichi sentiria a dor relacionada à morte de Ginko, mas perceberia que aquela ferida finalmente começava a cicatrizar.

Ele sempre acreditou que seria uma espécie de traição esquecer Ginko e encontrar felicidade. Também carregava culpa por continuar vivendo enquanto outros jogadores haviam abandonado o sonho de se tornar profissionais.
Mas Ai mostraria a ele que o shogi também poderia ser fonte de felicidade.
E, no epílogo, a história avançaria ainda mais.
Ai se tornaria profissional, se casaria com Yaichi e passaria a ser chamada de Kuzuryu-sensei. Ela teria tantos discípulos vivendo na casa da família que os vizinhos imaginariam que os dois tinham uma quantidade absurda de filhos.
Enquanto isso, Yashajin se tornaria médica e ensinaria shogi para crianças internadas em hospitais.
UAU…. quer dizer que Yaichi se CASARIA com Ai se a Ginko morresse…. UAU!
Por que Shiratori decidiu abandonar essa história?
O mais curioso é que essa não era simplesmente uma ideia descartada de última hora.
Shiratori conta que o planejamento original foi criado em 2015, antes mesmo da publicação do primeiro volume de Ryuuou no Oshigoto!. Naquela época, a obra tinha outro título, Ai-gakari, e até Yaichi e Ai possuíam outros nomes.
O autor já tinha pensado no final geral da história em agosto de 2015.
Só que muita coisa aconteceria depois.
A partir da publicação do primeiro volume, Shiratori passou a realizar cada vez mais pesquisas e entrevistas relacionadas ao mundo real do shogi. Nesse período, acontecimentos como a evolução explosiva dos softwares de shogi e a ascensão de jogadores da nova geração, especialmente Sota Fujii, acabaram influenciando a obra.

Isso permitiu que Ryuuou no Oshigoto crescesse muito além do que ele havia imaginado naquele primeiro planejamento.
E é justamente por isso que Shiratori afirma que, olhando novamente para o roteiro da morte de Ginko, ele considera que a história ficou bonita demais e previsível.
Para ele, provavelmente seria possível imaginar exatamente para onde tudo estava indo.
Por isso, hoje o autor acredita que foi melhor ter mudado os planos e permitido que Ginko sobrevivesse.
E sinceramente? Eu prefiro muito mais a Ginko viva e tendo se casado com o Yaichi do que a Ai.
Dando minha opinião aqui, eu não acho que morte combinaria com Ryuuou no Oshigoto, ok a história poderia ser séria como fosse, mas eu não acho que uma morte de um dos personagens principais seria bom.
