O dinheiro das plataformas estrangeiras de Streaming decidem quais animes ganham adaptação

Quando um mangá recebe uma adaptação para anime, é comum imaginar que o sucesso da obra no Japão seja o principal fator para a decisão (e na verdade a vida toda foi assim). Mas agora existe uma nova peça importante dessa equação que acontece longe do país: quanto as plataformas de streaming estrangeiras estão dispostas a pagar pelos direitos de exibição.
Segundo um produtor da indústria de anime, o valor oferecido pelas plataformas internacionais pode ser decisivo para determinar se uma produção sai do papel ou não. Em alguns casos, uma obra popular no Japão pode ter dificuldades para reunir investidores, enquanto um título menos conhecido pode avançar justamente porque existe uma expectativa de receita maior no mercado internacional.
Matéria publicada pelo Gendai Media.
Como as plataformas estrangeiras influenciam a produção de animes

Quando falamos em streaming internacional, é fácil pensar imediatamente em serviços gigantes como Netflix e Disney+. Eles realmente possuem enorme importância, mas o mercado de anime também conta com plataformas especializadas em animação japonesa, que disputam os direitos de exibição de novas séries.
Para os produtores, essa disputa é extremamente importante.
Uma adaptação de anime exige um investimento enorme antes mesmo de o primeiro episódio chegar ao público. É necessário pagar estúdios, animadores, dubladores, músicos, profissionais de pós-produção, publicidade e diversos outros custos.
Por isso, conseguir antecipadamente uma quantia significativa de uma plataforma internacional pode mudar completamente a viabilidade de um projeto.
É aí que entram dois conceitos fundamentais: MG e revenue share.
O que é MG nos animes?

MG, abreviação de Minimum Guarantee (Garantia Mínima), é um valor que a plataforma garante antecipadamente ao detentor dos direitos da obra.
De maneira simplificada, funciona como uma espécie de pagamento mínimo garantido pela distribuição do conteúdo.
Imagine que uma plataforma faça um acordo para transmitir uma temporada de anime no exterior e garanta determinado valor ao produtor. Mesmo que o desempenho da série posteriormente fique abaixo das expectativas, existe aquela quantia mínima prevista no contrato.
Por isso, o MG pode funcionar praticamente como um valor de aquisição dos direitos, embora os contratos reais sejam mais complexos.
Para uma produção que precisa levantar milhões antes de começar, uma proposta internacional desse tipo pode fazer uma diferença enorme.
E o que é revenue share?

O revenue share é outro modelo de remuneração, baseado na divisão da receita gerada pelo desempenho do conteúdo.
Dependendo do contrato, pode existir uma combinação entre uma garantia mínima e uma participação posterior na receita. Assim, caso o desempenho ultrapasse determinado nível, os detentores dos direitos podem receber valores adicionais.
É uma lógica semelhante, em alguns aspectos, a modelos de remuneração baseados em consumo: quanto maior o desempenho previsto no acordo, maior pode ser o retorno para os envolvidos.
Por que a exclusividade pode valer mais?
Imagine que uma plataforma consiga os direitos exclusivos de um anime muito aguardado.

Quem quiser assistir à série precisará utilizar aquele serviço. Para uma empresa de streaming, isso pode significar uma oportunidade de atrair novos assinantes ou manter usuários existentes na plataforma.
Por esse motivo, uma exclusividade pode ter um valor comercial maior.
Em contrapartida, quando uma produção é disponibilizada simultaneamente em diversos serviços, nenhuma plataforma necessariamente possui o mesmo nível de exclusividade.
Isso não significa que a distribuição ampla seja sempre menos interessante. Ela pode aumentar o alcance da obra e facilitar que mais pessoas tenham acesso ao anime. O ponto é que cada estratégia possui consequências diferentes para a negociação dos direitos.
Então o sucesso no Japão não é suficiente?
Não necessariamente.

Uma obra pode possuir uma base de fãs relevante no Japão, mas ainda assim apresentar dificuldades para fechar um orçamento de adaptação caso as expectativas de receita internacional sejam baixas.
Por outro lado, um mangá que ainda não é um fenômeno no Japão pode despertar interesse de plataformas estrangeiras e receber uma proposta internacional considerada forte o suficiente para ajudar a viabilizar sua adaptação.
Isso também ajuda a explicar por que o mercado internacional se tornou tão importante para a indústria japonesa.
Hoje, quando um produtor avalia uma possível adaptação, não precisa olhar somente para quantas pessoas compram o mangá no Japão. Também entram na equação o potencial internacional, os direitos de distribuição, merchandising, licenciamento e o interesse das plataformas.
