Review de BUSTAFELLOWS 2: Mais romance, menos investigação na sequência do otome game
BUSTAFELLOWS 2 traz de volta Teuta e os cinco homens de New Sieg em uma nova temporada de romances, crimes e mistérios. A sequência do otome game promete aprofundar os relacionamentos construídos no primeiro título, apresentar novos personagens e colocar o grupo diante de casos ainda mais delicados. Mas será que essa continuação consegue superar o original?
Nesta review, vou compartilhar minha experiência com o jogo a partir da rota do Scarecrow, comparando as mudanças na narrativa, na jogabilidade e na dinâmica entre os personagens. Apesar de ter gostado bastante da proposta de investigação criminal do primeiro jogo, confesso que algumas decisões desta sequência me decepcionaram.
Vale destacar que esta análise contém comentários sobre as rotas e a estrutura da história, mas evita revelar as principais reviravoltas de cada personagem.
O que é BUSTAFELLOWS 2?

Para quem ainda não conhece a franquia, BUSTAFELLOWS é uma visual novel otome desenvolvida pela eXtend, ambientada na cidade fictícia de New Sieg. A história acompanha Teuta, uma jovem jornalista que possui uma habilidade especial relacionada à viagem no tempo, e um grupo de homens que acabam envolvidos em investigações criminais e situações perigosas.
O primeiro jogo combina romance, suspense, crimes e drama, com uma estrutura dividida em rotas individuais. Cada personagem possui sua própria história, e as escolhas do jogador influenciam o desenvolvimento dos acontecimentos e os finais alcançados.
Já BUSTAFELLOWS 2 funciona como uma continuação direta, retomando os relacionamentos estabelecidos no título anterior. Em vez de começar novamente do zero, a história avança para uma nova fase da vida de Teuta e dos rapazes, explorando como eles lidam com seus relacionamentos e com os problemas que continuam surgindo em New Sieg.
E essa mudança é importante: aqui, o romance não é apenas uma possibilidade que pode surgir ao longo da história. Ele já faz parte da vida dos personagens.
BUSTAFELLOWS 2 começa com Teuta já namorando

Logo no início, o jogo pergunta o nome da protagonista. Podemos alterá-lo, mas decidi manter Teuta, já que o nome original é pronunciado pelas vozes dos personagens durante a história.
Também é possível escolher imediatamente qual personagem acompanhar. Como minha primeira rota no jogo anterior foi a do Scarecrow, decidi continuar com ele nesta sequência.
A escolha acontece por meio de uma pergunta de autenticação no aplicativo Anima: qual é o nome do gato? Cada resposta está associada a uma cor, que representa um dos personagens. É um detalhe simples, mas gostei da maneira como o jogo utiliza esse elemento para determinar a rota.
Eu estava curiosa para descobrir se BUSTAFELLOWS 2 continuaria diretamente os acontecimentos anteriores ou se exploraria histórias que ficaram em segundo plano no primeiro título. A resposta é que a sequência realmente aprofunda os relacionamentos, e isso fica evidente desde os primeiros momentos.
O problema é que começar com os casais já formados também elimina parte da expectativa de descobrir como esses relacionamentos vão se desenvolver. Eu gostaria de ter visto mais dessa construção, especialmente porque os personagens novos pareciam oferecer oportunidades interessantes.
A vida em New Sieg continua, mas algumas coisas mudaram
Uma das coisas que mais gostei foi acompanhar a nova dinâmica da casa. Os rapazes demonstram carinho tanto por Teuta quanto pelo casal que ela forma com o personagem escolhido. Eles se preocupam com o relacionamento, mas também com o bem-estar individual dos amigos.
Ao mesmo tempo, o jogo retoma questões do passado e mostra que algumas situações ainda precisam ser resolvidas. Teuta continua sendo tratada por muita gente como se fosse uma criança incapaz de cuidar de si mesma, o que rende momentos interessantes nessa nova fase.
Os cenários conhecidos continuam presentes, afinal, estamos acompanhando os mesmos personagens e a mesma cidade. Entretanto, também existem novos lugares para explorar, enquanto o cotidiano do grupo recebe mais espaço na narrativa.
Uma mudança interessante acontece nas conversas coletivas. Quando todos estão reunidos, podemos ouvir as vozes de vários personagens ao mesmo tempo, como em uma conversa de verdade.
A ideia é boa, mas a execução poderia ser melhor. Como o áudio está em japonês e os textos aparecem em inglês, ouvir várias pessoas falando simultaneamente, sem legendas para essas falas, torna algumas cenas confusas. Além disso, todas as vozes possuem praticamente o mesmo volume, dificultando a compreensão de quem está falando.
Outro ponto que merece atenção é o idioma. O texto está em inglês e as vozes são japonesas. Como não consegui encontrar uma opção para trocar o idioma, minha progressão acabou sendo mais lenta, principalmente porque preciso de mais tempo para acompanhar os diálogos em inglês.

Quem são os novos personagens de BUSTAFELLOWS 2?
O jogo apresenta novos personagens logo no prólogo, que continua bastante longo. Apesar de já começarmos acompanhando um relacionamento estabelecido, essas novas figuras ajudam a renovar a dinâmica da história.
Entre as novidades, três personagens chamaram minha atenção:
- Juno: um dublê e influenciador que pratica parkour. Teuta precisa escrever artigos mostrando aspectos de sua vida que ele não costuma compartilhar nas redes sociais. O relacionamento começa como uma obrigação profissional, mas acaba abrindo espaço para uma amizade.
- Guero: um novo chefe de gangue que assume os negócios da família após a morte do pai. Ele está sempre acompanhado de Wolfe, seu segurança e motorista. Apesar da posição perigosa que ocupa, Guero tem esposa e filha, e seu comportamento familiar contrasta bastante com a imagem que poderíamos imaginar de um líder de gangue.
- The Watcher: uma fonte de informações importante para um dos jornais. Ele aparece inesperadamente em lugares bastante aleatórios, escuta conversas alheias e tem um comportamento inconveniente. É praticamente uma fonte ambulante de fofocas, mas sabe escolher quais informações vale a pena compartilhar.
Gostei da presença desses personagens porque eles dão um pouco de frescor à franquia. Em especial, Juno traz uma leveza bem-vinda sempre que aparece.
Por outro lado, achei uma pena que o jogo não aproveite melhor essas novidades. Juno, por exemplo, poderia render uma rota bastante interessante, mas os novos personagens não recebem o mesmo tipo de desenvolvimento romântico dos protagonistas tradicionais.
Como estão os protagonistas depois do primeiro jogo?
A continuação também mostra o que aconteceu com os cinco interesses amorosos de Teuta, além de Scarecrow. Cada um segue um caminho diferente, com mudanças profissionais que ajudam a mostrar como suas vidas evoluíram.
Scarecrow
O autoproclamado chefe do submundo agora ajuda a polícia a solucionar crimes cibernéticos ao lado do próprio pai. A mudança combina com sua experiência em tecnologia e permite explorar um lado diferente de suas habilidades.
Helvetica
O cirurgião plástico mais desejado de New Sieg passou a trabalhar também no hospital da cidade, cobrindo turnos devido à falta de profissionais. É uma mudança que acrescenta outra dimensão à sua rotina.
Mozu
Continua como chefe de seu setor, mas também ajuda animais vítimas de maus-tratos por meio de um grupo de estudos. Como não possui licença para exercer a medicina veterinária, acaba atuando informalmente nessa área.
Shu
Abandonou a vida de atirador de elite e passou a trabalhar como investigador, realizando serviços aqui e ali. Existe até a história de que ele largou o cigarro, embora eu não apostasse todas as minhas fichas nisso!
Limbo
O advogado que já vinha de uma família rica continua expandindo seu escritório e parece estar ainda mais bem-sucedido financeiramente.
Essas mudanças ajudam a mostrar que os personagens não ficaram parados desde o final do primeiro jogo. Mesmo assim, senti falta de uma exploração mais equilibrada entre suas novas vidas profissionais e os casos que precisam resolver.
O novo fluxograma facilita muito a jogabilidade
Se existe uma melhoria que merece elogios, é o novo sistema de fluxograma.
Em visual novels com várias rotas e finais, revisitar escolhas anteriores pode ser cansativo. No primeiro BUSTAFELLOWS, eu precisei recorrer bastante à tentativa e erro para descobrir os caminhos disponíveis.
Desta vez, o jogo apresenta um fluxograma com os capítulos e os pontos de decisão. Assim, fica muito mais fácil identificar onde uma escolha acontece e voltar diretamente ao trecho necessário para explorar outra possibilidade.

O recurso torna a experiência mais prática, principalmente para quem deseja completar todas as rotas e finais.
O menu também recebeu mudanças. Ele está mais bonito, embora eu não tenha gostado muito da navegação circular. A música-tema foi remixada em uma versão mais calma e agradável, as notificações de conteúdo desbloqueado ficaram mais discretas e a animação relacionada às viagens no tempo também foi atualizada.
As opções durante a história agora aparecem na parte inferior da tela, junto à área de texto, em vez de ficarem no meio da imagem, na frente dos personagens. É uma alteração pequena, mas que deixa a apresentação mais agradável.
No geral, são melhorias que tornam a interface mais funcional, ainda que nem todas as mudanças tenham me agradado igualmente.
Conhecemos os pais de Teuta em todas as rotas
Uma das novidades narrativas mais interessantes é a oportunidade de conhecer os pais de Teuta em todas as rotas.
Sua mãe é carinhosa e simpática, enquanto seu pai representa aquele clássico pai protetor que encara o namorado da filha com uma expressão intimidadora. É praticamente impossível não imaginar a famosa conversa de sogro: “Se você partir o coração da minha filha, eu parto você ao meio!”.
Entretanto, quando vemos essas interações com mais calma, fica claro que ele está preocupado principalmente com a felicidade e a segurança da filha.
E tem uma surpresa: a mãe, apesar de toda a doçura, pode ser muito mais difícil de convencer do que o pai de cara fechada!
São momentos que ajudam a conhecer melhor a protagonista e dão mais espaço para sua vida pessoal, algo que considero positivo em uma continuação focada nos relacionamentos.
O jantar com Mozu é um exemplo perfeito de seu personagem
Preciso destacar uma cena específica da rota de Mozu.
Como ele trabalha com autópsias, acaba conversando durante o jantar sobre um de seus casos com a naturalidade de quem está comentando a previsão do tempo.
Ele explica os métodos utilizados para identificar corretamente um corpo encontrado no lixo e determinar a causa e as circunstâncias da morte. O objetivo era garantir que aquela pessoa tivesse sua identidade e dignidade reconhecidas, mesmo depois de uma morte tão cruel.
E tudo isso aparece como uma demonstração de sua competência profissional. Mozu tem apenas 25 anos e já ocupa uma posição de liderança em seu setor.
É uma cena que pode parecer estranha para quem não está acostumado com esse tipo de assunto à mesa, mas combina muito com o personagem e com a maneira peculiar como ele lida com a morte.
Também representa algo que gosto na franquia: por trás dos romances, existem situações que nos fazem pensar em problemas reais que normalmente preferimos não encarar.
A investigação criminal perdeu espaço para o romance?

Aqui chegamos à minha maior decepção com BUSTAFELLOWS 2.
Eu realmente gostei da história de investigação e dos crimes apresentados no primeiro jogo. Mesmo visual novels não sendo meu gênero favorito, e otome games menos ainda, fiquei tão envolvida que fiz as cinco rotas, completei os finais bons e ruins e joguei os Sides A e B de todos os personagens.
Minha análise do primeiro título foi baseada no final do Side A de Scarecrow, que completei praticamente na tentativa e erro, sem guias. Para as demais rotas, recorri a um guia com uma ordem sugerida, e não me arrependo. Tenho a impressão de que a história de Teuta foi construída para favorecer um personagem específico, e justamente esse foi o final de que mais gostei.
Por isso, estava bastante curiosa para descobrir o que aconteceria depois.
Em BUSTAFELLOWS 2, cada rota apresenta temas próprios e situações diferentes, mantendo a proposta de acompanhar os protagonistas individualmente. Os casos policiais continuam presentes, mas o foco muda bastante dependendo do personagem.
As histórias também abordam temas sensíveis. Entrei querendo jogar uma visual novel de investigação e acabei refletindo sobre vários problemas reais que nem sempre consideramos no dia a dia.
O que me incomodou foi a maneira como o jogo distribui esses elementos. Eu esperava mais casos policiais, mais mistérios e mais momentos de investigação. Em vez disso, encontrei uma experiência muito mais centrada no romance.
Não acho que aprofundar os relacionamentos seja uma decisão ruim. Afinal, essa é uma continuação, e faz sentido mostrar como os casais lidam com suas vidas depois dos acontecimentos anteriores. O problema é que, para mim, o equilíbrio entre romance e investigação ficou pior.
Além disso, embora cada rota tenha sua própria abordagem, a resolução dos conflitos acaba seguindo uma estrutura semelhante. Isso diminui parte da expectativa de descobrir o que acontecerá a seguir, especialmente quando o próprio prólogo já oferece pistas sobre a direção geral da história.
Senti que a narrativa demorava demais para chegar aos momentos que realmente me interessavam. Os novos personagens ajudam a renovar a experiência, mas não compensam totalmente a falta de investigações mais envolventes.
Afinal, BUSTAFELLOWS 2 é melhor que o primeiro jogo?

Sinceramente, gostei mais do primeiro BUSTAFELLOWS.
A sequência tem qualidades evidentes: o novo fluxograma facilita muito a vida de quem deseja completar as rotas, os personagens recebem atualizações interessantes em suas vidas profissionais e conhecer os pais de Teuta acrescenta uma dimensão familiar à história.
Também gostei da presença de Juno, Guero e The Watcher, que ajudam a trazer novas situações para New Sieg. A apresentação visual continua agradável, e a trilha sonora recebeu mudanças que considero positivas.
Porém, o principal motivo que me fez gostar do primeiro jogo foi a combinação entre investigação criminal, suspense e romance. Nesta continuação, senti que o romance ganhou espaço demais, enquanto os mistérios perderam parte do protagonismo.
Entendo que o objetivo seja aprofundar os relacionamentos já estabelecidos, mas gostaria que o jogo tivesse encontrado uma maneira de fazer isso sem deixar a investigação em segundo plano. E, se os novos personagens tivessem recebido mais oportunidades de desenvolvimento, melhor ainda!
No fim das contas, BUSTAFELLOWS 2 não é necessariamente um jogo ruim. Ele apenas seguiu uma direção narrativa que não era exatamente a que eu esperava. E vocês, preferem uma continuação que aprofunde os romances já existentes ou gostariam de ver mais mistérios e novas rotas para personagens como Juno?
