Artista de mangá adulto critica fãs que se orgulham de ler a versão pirata

O mangaká Manno, conhecido na cena de doujinshi adulto pela obra Iribitari Gal, publicou um vídeo em seu canal no YouTube para falar de um problema que continua afetando diretamente artistas independentes: a pirataria de mangás. Segundo o autor, alguns leitores que se dizem fãs chegaram a se vangloriar online por consumir suas obras gratuitamente em sites ilegais.
Manno decidiu explicar quanto trabalho existe por trás de um mangá independente e por que esse tipo de comportamento pode ser especialmente prejudicial para quem depende diretamente das próprias vendas.
Manno critica fãs que se orgulham de ler mangás piratas
O episódio começou quando o artista encontrou comentários de pessoas afirmando, com orgulho, que haviam lido seus trabalhos completamente de graça.

Alguns dos comentários iam além e defendiam que mangás doujin adultos, em geral, deveriam estar disponíveis gratuitamente na internet.
Foi justamente essa postura que levou Manno a publicar o vídeo intitulado “[URGENTE] Uma mensagem de um artista de mangá adulto”, no qual decidiu falar diretamente com seu público.
Para ele, existe uma diferença enorme entre alguém simplesmente não ter condições de comprar uma obra e transformar a pirataria em motivo de orgulho.

Manno não está dizendo que todos os leitores precisam comprar absolutamente tudo que ele produz. O pedido apresentado pelo artista é que aqueles que realmente gostam de seu trabalho procurem apoiá-lo financeiramente dentro de suas possibilidades.
O sucesso permitiu que Manno largasse o emprego
Segundo o próprio artista, sua série já ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas, resultado que permitiu que ele deixasse seu antigo emprego para se dedicar integralmente à produção de mangás.
É uma situação bastante diferente da imagem que algumas pessoas podem ter de um artista independente trabalhando em casa.
Um mangaká de doujin pode precisar lidar sozinho com diversas etapas da produção, desde a criação até a finalização e comercialização da obra.
E, quando o material é disponibilizado ilegalmente, a pessoa que sofre diretamente com a perda de uma venda é justamente quem está financiando esse trabalho.
Produzir um capítulo pode levar centenas de horas
Manno contou que a produção de um único capítulo pode consumir centenas de horas de trabalho.

Durante períodos de preparação para eventos como a Comiket, por exemplo, ele afirmou que chega a trabalhar cerca de 14 horas por dia, chegando ao ponto de enfrentar dores nas costas.
Depois de todo esse esforço, existe uma diferença brutal entre o tempo necessário para produzir e o tempo necessário para consumir.
O leitor pode terminar um capítulo em aproximadamente 10 minutos, enquanto o artista passou dias ou até semanas construindo aquele mesmo material.
Até o conteúdo adulto virou material de pesquisa
Manno revelou que já não consegue consumir esse tipo de conteúdo simplesmente por diversão.
Ao assistir a um AV ou a um anime adulto, por exemplo, sua cabeça automaticamente começa a analisar aspectos que poderiam ser utilizados em seus próprios mangás.
Pensamentos como:
- “Essa composição ficou muito boa!“
- “Essa história funciona, posso usar como referência.“
- “Nunca tinha pensado em explorar esse fetiche dessa maneira.“
acabam aparecendo naturalmente.
Ou seja, aquilo que poderia ser entretenimento acaba se transformando em pesquisa profissional.

É um exemplo curioso de como, para alguns artistas, a linha entre trabalho e vida pessoal pode praticamente desaparecer.
“Mangaká de doujin não trabalha menos”
Outro ponto levantado por Manno foi a percepção de que artistas independentes de doujinshi teriam uma vida profissional mais tranquila do que mangakás publicados por grandes editoras.
Ele discorda dessa visão.
Na realidade, artistas independentes podem precisar assumir sozinhos uma quantidade enorme de responsabilidades que, em uma produção editorial tradicional, seriam divididas entre diferentes profissionais.
Além da criação, há todo o processo de produção, divulgação, publicação e venda da obra.
E existe ainda a pressão para produzir material novo constantemente.
Por isso, Manno quis deixar claro que o fato de um artista trabalhar de forma independente não significa que seu trabalho tenha menos valor ou que exija menos esforço.
