Mangaka faz Forte Desabafo após ter seu Mangá Cancelado

O mangá Gekidou que começou a ser publicado em Junho de 2025 acabou sendo cancelado após 35 capítulos, o mangá estava sendo publicado na Weekly Young Jump e o autor Koko Kako acabou desabafando em seu twitter.
Em um longo e eu digo longo tweet, o autor falou tudo que estava guardado sobre a publicação do seu mangá. Antes disso do que se tratava Gekidou?
A história era sobre o estudante Entaro Mashiba que conseguiu uma vaga no time titular de beisebol da sua escola, porém ele acaba por abandonar o time repentinamente no seu último ano e acaba indo para o clube de teatro da escola.

Com a sinopse em mãos, vamos ao desabafado do autor:
“A partir de hoje, “Gekidou” foi oficialmente cancelado. Eu era o responsável pela história (nome/roteiro) da obra.
No total foram cerca de 9 meses e meio de serialização, com 35 capítulos. Para uma obra semanal, acabou sendo uma conclusão bem curta. Era um mangá com uma premissa um pouco incomum: um ex-jogador de beisebol do ensino médio que, no último ano da escola, entra no mundo do teatro escolar.

A todos que leram até o final, muito obrigado. O motivo do cancelamento é simples: os volumes encadernados não venderam. E não é exagero — venderam tão pouco que dá vontade de ficar de boca aberta de tão chocante.
Eu obviamente sabia que existia o conceito de “cancelamento” (打ち切り), e já tinha ouvido explicações sobre isso. Mas eu não sabia como exatamente essa decisão era tomada nem como era comunicada.
Por isso fiquei bastante chocado quando, menos de duas semanas após o lançamento do volume 1, o meu editor começou a mencionar a palavra “cancelamento”.
“O quê!? Tão rápido assim!? Espera, espera! É agora que a história começa!”
Eu tive vontade de me agarrar ao editor implorando para continuar. Na prática, houve momentos bem vergonhosos em que eu fiquei insistindo e fazendo birra quase como se estivesse implorando.
Mas vendo o quanto meu editor responsável também estava abatido e frustrado — às vezes até mais do que eu — fui percebendo aos poucos uma verdade absoluta: não havia mais nada que pudesse ser feito.

Naquele dia, depois que a reunião semanal terminou, eu fiquei no meu apartamento ainda novo, para o qual tinha me mudado quando a serialização começou, apenas olhando para o teto sem pensar em nada.
Parecia que a dureza do mundo dos mangás comerciais tinha sido jogada na minha cara. Desde o começo eu sabia que era um tema difícil. Mesmo assim, sendo minha primeira serialização, pensei:
“É melhor escrever algo em que eu possa dar um swing completo com o bastão.”
Então decidi desenhar exatamente a história que estava guardada no meu coração há muito tempo, sem esconder nada. Mas quando a serialização começou de verdade, fui confrontado continuamente com vários problemas e minhas próprias limitações.
Foi então que percebi o quão difícil é realmente dar esse ‘swing completo’ de que eu sempre falava tão facilmente.
Antes mesmo da questão de vender ou não vender, percebi que um mangaká precisa se esforçar muito mais do que imagina só para conseguir escrever aquilo que realmente quer escrever até o fim.
Mesmo agora, eu ainda acho que “Gekidou” é um mangá interessante. E considero muita sorte ainda conseguir pensar assim.
Em termos de números — impressões e vendas — os resultados foram difíceis o tempo todo. Mas felizmente toda semana recebíamos comentários muito apaixonados, e parecia que havia um calor genuíno naquele espaço.

Quando o fim da serialização foi anunciado, muito mais pessoas do que eu imaginava demonstraram tristeza, e isso me deixou muito feliz. Especialmente depois que o cancelamento foi decidido, aos poucos comecei a sentir que:
já estava mais acostumado à rotina da serialização
as distrações desapareceram
e eu finalmente estava mais próximo daquele “swing completo”.
O fato de um mangá que fala sobre a “maldição da vitória e da derrota” acabar sendo cancelado é, olhando de fora, bastante irônico e até poético. Para mim, foi uma experiência de escrita muito especial e intensa.
(O cancelamento foi oficialmente decidido quando eu estava escrevendo por volta do capítulo 22. Se você ler a partir daí, vai perceber que comecei a falar bastante sobre cancelamento na própria história.)
Nesse sentido, sinto que consegui atingir um tipo de “interesse profundo e nichado”. Mas ao mesmo tempo também percebi que, para sobreviver como roteirista de mangá, esse nível ainda está muito longe de ser suficiente.
Existe um argumento que todo mundo que quer trabalhar com mangá ouve desde cedo:
“Mangá é um entretenimento do qual o leitor pode desistir facilmente no meio. Não basta que o final seja satisfatório — você precisa prender o leitor do começo ao fim.”
Agora sinto que entendi de verdade a importância dessa ideia. Todo entretenimento tem um “custo” específico que precisa ser pago para conquistar o público, e acho que “Gekidou” não pagou esse custo o suficiente.

E o resultado disso foi o cancelamento. Mesmo que eu pessoalmente esteja satisfeito com o que escrevi, se a obra é cancelada:
eu sinto que falhei com o artista que desenhou o mangá, Misumi-san
falhei com meu editor
e também deixei decepcionados todos que apoiavam “Gekidou”.
Independentemente da filosofia pessoal sobre o quanto uma obra precisa vender, um mangá que você começa deveria sempre poder ser concluído. E como mangaká, é sua responsabilidade entregar ao público uma obra com um nível de qualidade universal suficiente para isso.
Esse foi o meu maior arrependimento — e também a maior lição. Mesmo com tudo isso, eu ainda penso novamente:
“Gekidou é um mangá interessante.”
Mas ele não vendeu nada. Agora eu passo meus dias indo e voltando entre essas duas realidades. E por causa disso, decidimos liberar todos os capítulos de “Gekidou” gratuitamente por tempo limitado, para comemorar a conclusão.
(Será por uma semana a partir de hoje.)
“Gekidou” tem muitas falhas e imaturidades, e como mangá não conseguiu pagar totalmente o “custo” necessário para o público. Por isso, o resultado foi que não conseguimos justificar cobrar dinheiro suficiente dos leitores.
Mas ao mesmo tempo, não foram poucas as pessoas que disseram com muita convicção que a obra era interessante. Por isso eu queria dar a chance de mais pessoas lerem. Se as pessoas pensarem “era óbvio que não venderia” ou “pô, mas isso é legal”, qualquer opinião me interessa.
Foi com esse sentimento que fiz esse último pedido um pouco egoísta. Agora é possível ler tudo gratuitamente de uma vez até o final. Para quem acompanhou até o fim na serialização ou para quem parou no meio, ficaria muito feliz se lessem novamente.
E se puderem divulgar um pouco, eu ficaria extremamente grato. Seria bom se pudéssemos aproveitar esse cancelamento juntos. No fim das contas, cancelamentos também são interessantes. Mais uma vez, muito obrigado por lerem “Gekidou”.
No dia 17 de abril, os volumes 3 e 4 (o último) serão lançados simultaneamente. Também terminei os pós-escritos desses volumes na semana passada, e eles são ainda mais detalhados e profundos que este texto, então espero que possam conferir.
Cada comentário de vocês foi uma fonte de energia para mim.
Vou me esforçar no próximo trabalho também.
Até a próxima!”
