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Criadora de Cells at Work Denuncia Maus-Tratos pela Kodansha

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Criadora de Cells at Work Denuncia Maus-Tratos pela Kodansha

A Criadora de Cells at Work denunciou maus-tratos após revelar problemas que teria enfrentado durante a publicação do seu famoso mangá, gerando uma onda de relatos de outros artistas sobre dificuldades, pressão psicológica e conflitos com editoras no Japão.

A autora de Cells at Work!, Akane Shimizu, publicou uma série de relatos em sua conta no X explicando situações que teriam acontecido enquanto trabalhava com a editora Kodansha.

Criadora de Cells at Work denuncia maus-tratos durante produção do mangá

Segundo Akane Shimizu, um dos principais problemas enfrentados durante a serialização de Cells at Work foi a falta de suporte prometido pela equipe editorial. A autora afirmou que a editora teria prometido ajuda profissional para supervisionar os aspectos médicos da história, já que a obra envolve diversos conceitos da área da saúde.

Cells at Work Vol.01

Porém, de acordo com seus relatos, esse acompanhamento não teria acontecido de maneira adequada. A mangaká afirmou que precisou pesquisar sozinha usando livros comprados com seu próprio dinheiro, enquanto recebia críticas dos leitores quando erros médicos apareciam na obra.

Shimizu também afirmou que seus pedidos de ajuda teriam sido ignorados ou tratados de forma negativa pelos responsáveis editoriais.

Além disso, a autora alegou que não recebeu assistentes de mangá em nível profissional para ajudar na produção, algo considerado comum entre criadores que trabalham com grandes editoras. A falta de apoio teria aumentado sua carga de trabalho, fazendo com que precisasse passar noites em claro para conseguir cumprir os prazos.

Problemas dos mangakás com editoras ganham destaque no Japão

Após os relatos da criadora de Cells at Work denunciando maus-tratos, outros artistas começaram a compartilhar experiências semelhantes envolvendo dificuldades no mercado de mangás.

A mangaká Kayatamaru revelou que teria passado mais de um ano sem receber royalties relacionados às vendas digitais internacionais de seus mangás. Ela também afirmou que seus problemas de saúde não teriam recebido a atenção necessária por parte da equipe editorial, levando a uma pausa obrigatória de seis meses.

Abuso de mangakas 1

Outra artista que falou sobre o assunto foi Izuko Fujiya, conhecida por trabalhos publicados na Monthly Shonen Sirius. Ela explicou que conflitos com sua equipe editorial entre 2016 e 2019 acabaram tornando impossível continuar sua série Sayonara no Parade.

A artista afirmou esperar que o caso de Akane Shimizu ajude a melhorar a forma como os criadores de mangá são tratados pelas empresas.

Além dos problemas envolvendo suporte e pagamentos, outros artistas destacaram uma cultura de pressão dentro da indústria.

Q-ta Minami comentou que durante anos acreditou que era tratado daquela maneira por não ser um artista famoso o suficiente. Porém, após ver o caso de Akane Shimizu, afirmou que percebeu que até criadores de grande sucesso poderiam enfrentar situações semelhantes.

Abuso de mangakas 2

Meiji Merou revelou que antigos editores costumavam dizer que ela era inferior a outros artistas e que “acabaria como uma perdedora”. Segundo ela, existia uma tendência de tentar moldar os artistas e pressioná-los emocionalmente.

Editora Kodansha publica pedido de desculpas

Após a repercussão das acusações, a Kodansha publicou um pedido oficial de desculpas para Akane Shimizu. A empresa reconheceu que falhou ao não oferecer supervisão profissional adequada e também admitiu problemas relacionados aos créditos da autora em obras derivadas de Cells at Work.

Shimizu também afirmou que algumas mudanças de créditos aconteceram em spin-offs da franquia, com seu nome sendo alterado de “autora original” para “colaboradora” ou até removido em determinados casos.

Segundo a autora, essas situações, combinadas com outros problemas pessoais, contribuíram para que ela enfrentasse graves dificuldades emocionais durante o período de publicação do mangá.

via Automaton